Saúde

Hospitais filantrópicos param por um dia para reivindicar reajuste do SUS

10 de Abril de 2013 -Piatã


A situação financeira dos hospitais foi apresentada em Salvador

Apesar da tentativa das instituições de saúde filantrópicas de diminuir o impacto na população, a interrupção dos atendimentos eletivos por 24 horas pegou algumas pessoas de surpresa. Foi o caso de Inês Santos Souza, que viajou de Feira de Santana para tentar marcar uma cirurgia no Hospital Santa Izabel. “Deveriam ter avisado, tivemos que pedir dinheiro emprestado para vir, pois estou desempregada e só poderei trabalhar depois de fazer a cirurgia”, contou a empregada doméstica.

De acordo com o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos da Bahia, Maurício Dias, a interrupção parcial do atendimento no estado (foi mantido os atendimentos de emergência) teve a adesão de 56 dos seus 58 hospitais associados. A paralisação é parte do movimento nacional “Tabela SUS - Reajuste Já”, que paralisou cerca de 1600 entidades em todo o Brasil.

Segundo Maurício Dias, os hospitais ligaram para os pacientes que tinham agendado consultas e cirurgias eletivas, marcando o procedimento para outro dia. “Mas a orientação é ser flexível em certos casos como aqueles em que as pessoas vêm do interior, ou em casos de emergência”, acrescentou.

No caso da paciente da Santa Isabel, a marcação da cirurgia, segundo a própria, só pode ser realizada presencialmente, mas mesmo vinda do interior e fazendo um grande esforço não foi atendida. O hospital, através da sua assessoria, confirmou a recomendação e disse que investigaria o que aconteceu neste caso. Até o fechamento desta edição, nenhuma explicação foi dada.

O movimento nacional "Tabela SUS - Reajuste Já” quer a renegociação da tabela usada para o repasse de recursos do Governo Federal às entidades filantrópicas, que suplementam o Sistema Único de Saúde (SUS). Devido à falta de reajuste, as santas casas e hospitais filantrópicos, em todo Brasil, estão endividadas em mais de R$ 11 bilhões. Na Bahia, a dívida passa de R$ 1 bilhão.

Segundo o deputado Antônio Brito, da Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, cerca de R$ 4,3 bilhões da dívida está correndo juros, já que é fruto de empréstimos feito a bancos. “Com essas dívidas, muitas entidades não podem ter a certidão negativa de débito, necessária para obter crédito em bancos oficiais”, acrescentou. O movimento quer também anistia da dívida dessas instituições junto a Recita Federal e um aporte de recursos no valor aproximado de R$ 5 bilhões, para que as dívidas junto aos bancos sejam sanadas.

Quanto à tabela, o movimento tem uma proposta para debater com o governo, que não se pronunciou ainda. “Além do reajuste, queremos a mudança na definição dos custos de procedimentos. Para os serviços de demanda espontânea, aqueles independentes de marcação, achamos que se deve encontrar uma maneira de calcular o custo da manutenção da estrutura necessária e este custo deve ver assegurado pelo governo. Já os serviços eletivos podem ser pago por produção”, explicou Brito.

Ele informou ainda que, caso o governo não se sensibilize com a situação e não responda às reivindicações, o movimento fará novas paralisações.

Tabela com baixos valores

Como parte do movimento, foi realizada, nessa segunda-feira (8/4), uma reunião no Hospital Martagão Gesteira que contou com dezenas de representantes de hospitais filantrópicas. Além de demonstrar seu apoio ao movimento nacional, eles narraram as dificuldades pelas quais vêm passando devido à insistência do Governo Federal em aplicar a tabela atual. Segundo Maurício Dias, a tabela atual tem valores “absurdamente baixos” para certos procedimentos. “Existem casos em que o médico recebe R$ 6,00 de consultas”, exemplifica.

Vinício Aderne, gestor da Santa Casa de Oliveira dos Campinhos, responsável por dois hospitais na região de Santo Amaro, ressaltou que a tabela tem tido um impacto maior nos hospitais do interior do que nos da capital. “O governo parece não entender que a maior parte de nossos profissionais vivem em outras cidades e, por isso, são mais caros. O mesmo acontece com o material hospitalar que compramos, mas a tabela é a mesma”, disse. Fonte: Tribuna

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